Dois jogos de mundos diferentes, exclusivos da mesma plataforma, pelo menos no que tange a época de lançamento, e cujas protagonistas possuem semelhanças nas feições faciais. The Last of Us foi um sucesso gigantesco e por outro lado Beyond Two Souls foi um jogo cheio de reviravoltas na história. Aliás, cada game citado aqui é uma criação particular. The Last of Us possui como características básicas um primor técnico ambicioso, uma narrativa sólida e linear; já Beyond Two Souls é um game linear de certa forma, mas possui uma característica maior como a forma do game, com uma narrativa fechada de acordo com cada nova iteração focada na experiência de cada jogador.

 

A Ellie é uma menina, num primeiro momento frágil, com mil problemas de ordens psíquicas e sociais. São muitas semelhanças entre as duas personagens que vão além do tradicional embate. Ambas possuem uma pessoa ou ser, que estão com elas mesmo tendo que enfrentar os perigos mais mortais possíveis. Joel descobre uma afeição paterna por Ellie e Aiden, o espírito de Beyond Two Souls, nutre uma afeição parecida com essa em relação a Jodie Holmes. Outra semelhança é a maneira como ambas encaram os dilemas e a própria vida. A força de cada uma vem das relações interpessoais e da vontade de viver diferente. Nem Ellie ou Jodie querem viver as realidades apresentadas a elas.

 

Mas chega de semelhanças. O que é mais importante aqui são as diferenças. Jodie possui um espírito (Aiden) ligado a ela que a permite atacar seus inimigos, se utilizando dessa relação com ele para desferir golpes e fugir dos mais diversos perigos, sejam eles em lutas contra soldados, brigões de bares ou outras criaturas. A protagonista de Beyond Two Souls é forte e destemida, pensa em mudar a vida, após traumas de infância no melhor estilo da série de TV Fringe. A linearidade do game, despedaçada ao longo do enredo, permitindo o jogador a ir preenchendo as lacunas por si só, faz dessa personagem uma grande heroína. Porém, não é só de lutas e embates destruidores que vive a jovem Jodie, interpretada pela atriz Ellen Page. Assim como uma menina normal, ela quer se adequar à vida dita normal. A necessidade de um relacionamento para preenchê-la é cada dia mais nítido conforme o jogador vai conhecendo Jodie mais profundamente.

 

Em contrapartida, há uma das personagens mais carismáticas e agradáveis da geração passada. São tantos grandes momentos que é difícil parar para elencar alguns específicos. O game The Last of Us foi um dos jogos mais comentados dos últimos anos e é uma referência em storytelling em videogames. Embora o jogador encarne com mais frequência na pele de Joel, é Ellie quem traz a doçura e ingenuidade necessária para fazer o contraponto com a rigidez e descrença de um homem que perdeu tudo. Ellie, por não ter vivido nada antes do apocalipse acontecer, não tinha ideia do que era o mundo civilizado, sem tanto caos e racionamento de comida. Ellie não viveu em um mundo normal, não teve as coisas que Joel teve, portanto, o sofrimento dela é reformulado, transformado em curiosidade. Ela pergunta sobre música, cinema e como era realmente a vida antes de todo aquele desastre acontecer. As perguntas que ela faz ficam mais constantes e a interação entre os personagens fica mais fluída. Mesmo com certa fragilidade física, Ellie precisa encarar momentos extremamente tensos, correndo risco de morrer a qualquer segundo. A jornada dela, como a salvação do mundo termina de forma poética e forte. Um final epílogo, totalmente anticlímax, mas que rendeu boas lembranças.

 

Duas personagens de peso aqui no site da BGS, galera. Qual delas é a sua preferida e por quê? Diga para a gente quem deve ganhar o posto de personagem do dia!